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Di Giorgio

Fabricante brasileira de violões · Brasil

Fundada em 1908 por um luthier italiano em São Paulo, é a mais antiga fábrica de violões do Brasil em atividade; hoje opera em recuperação judicial.

Fonte histórica Ver as fontes Atualizado em 23/9/2026

Origem e história

A Di Giorgio foi fundada em 1908, em São Paulo, com o nome Atelier de Violões Finos Romeu Di Giorgio. O fundador, Romeu Di Giorgio, é descrito como luthier formado na Itália na tradição do violino; o registro civil e a formação não foram localizados em fonte primária e seguem a confirmar. A oficina voltava-se inicialmente à colônia italiana de São Paulo.

A industrialização veio nos anos 1940, quando a oficina virou indústria e mudou-se para a Rua Voluntários da Pátria, em Santana — endereço que permanece como sede cadastral da empresa. No fim dos anos 1950 entrou Reinaldo Proetti, criado por Romeu; a filiação é o ponto mais frágil da narrativa e fica a confirmar.

O salto veio com a bossa nova. Sob o comando de Reinaldo, nos anos 1960, a empresa passou a se concentrar em violões e chegou a cerca de mil violões por mês. Em 1985 foi inaugurada a fábrica de Franco da Rocha: cerca de 20.000 m², 200 funcionários e capacidade declarada de 6.000 violões por mês. O centenário, em 2008, foi noticiado pela imprensa paulista. Nos anos 2010 parte da produção migrou para a Ásia, para manter competitividade de preço.

Em 12 de março de 2019 o grupo pediu recuperação judicial, deferida em 1º de julho de 2019 e concedida em 4 de julho de 2024. A situação cadastral segue ativa, com situação especial de recuperação judicial, e a marca continua vendendo. O destino físico da planta de Franco da Rocha — venda, fechamento ou arrendamento — não foi localizado.

Categorias e linhas

Os modelos históricos vêm de um blog especialista em Di Giorgio vintage, bem documentado mas fonte única, e todos seguem a confirmar: a série Ordem, dos anos 1960, com numeração correspondente às linhas de fábrica; Tipo Autor 34; Artístico 32; Signorina; Bel Som 36; Invictus 30; Autor 3; Bora Bora e Rancho; Amazônia 30; Clássico 28; e Nostalgia 38.

Três nomes seguem em linha hoje, confirmados: Romeo, de 1973, homenagem ao fundador; Estudante 18, modelo de entrada dos anos 1960; e Havana, do fim dos anos 1970, inclusive na versão Havana Black. A série Tárrega, de 1972 em diante, é a associada a João Gilberto.

Presença e relevância no Brasil

A Di Giorgio é tratada como a primeira fábrica de violões em escala do país e um pilar da história do violão brasileiro — juízo repetido por fontes sérias, não um dado, e por isso registrado como tal.

Sobre músicos, o que efetivamente tem fonte: a associação entre João Gilberto e o modelo Tárrega, confirmada por duas fontes independentes, é a mais sólida da marca. Tom Jobim, Roberto Carlos e Dorival Caymmi são citados em bloco por fontes secundárias, sem modelo, data ou foto documentada, e seguem a confirmar. Nenhum outro nome foi localizado com documentação.

O Museu Virtual de Instrumentos Musicais registra um violão Di Giorgio do século XX, construído em São Paulo, com tampo de pinho e assinaturas a caneta, hoje no acervo do Instituto Moreira Salles. O mercado secundário vintage é muito ativo no varejo online brasileiro.

Instrumentos e produtos no acervo

  • Eletroacústicos
  • Modelos cutaway
  • Violões de aço
  • Violões de nylon

Marcos datados

  1. 1908 Fundação do Atelier de Violões Finos, em São Paulo fonte a confirmar
  2. 1972 Modelo Tárrega, série Professional fonte a confirmar
  3. 1973 Modelo Romeo fonte a confirmar
  4. 1985 Fábrica de Franco da Rocha fonte a confirmar
  5. 2008 Centenário noticiado pela imprensa paulista fonte a confirmar
  6. 2019 Pedido de recuperação judicial fonte a confirmar
  7. 2024 Concessão da recuperação judicial fonte a confirmar

A confirmar

  • Registro civil de Romeu Di Giorgio e sua formação
  • Destino físico da fábrica de Franco da Rocha
  • Onde os violões Di Giorgio são fabricados hoje
  • Documentação de uso por Tom Jobim, Roberto Carlos, Caymmi e Gilberto Gil
  • Filiação de Reinaldo Proetti a Romeu Di Giorgio
  • Data de: Industrialização; mudança para Santana
  • Data de: Boom da bossa nova; cerca de mil violões por mês
  • Data de: Parte da produção migra para a Ásia
  • Onde os violões são fabricados hoje (ficha)

O marcador a confirmar indica informação de fonte única, fonte comercial, ou com divergência entre fontes.

Fontes consultadas

Oficiais

  1. digiorgio.com.br site oficial site oficial
  2. fraj.com.br administração judicial da recuperação fonte oficial
  3. Econodata registro público da empresa registro público
  4. Museu Virtual de Instrumentos Musicais ficha de acervo arquivo

Complementares

  1. Música & Mercado recuperação judicial imprensa setorial
  2. Revista do Choro o luthier Romeu Di Giorgio imprensa
  3. Italianismo Di Giorgio e a imigração italiana imprensa
  4. O Estado de S. Paulo, 23/09/2008 centenário imprensa

O nível de confiança indica a procedência das informações, não a qualidade da marca.

Por que entra no Notas do Brasil

É a história mais completa do acervo: 117 anos, imigração italiana, industrialização paulistana, bossa nova, expansão fabril, migração de produção para a Ásia e recuperação judicial. Todo o arco da indústria brasileira de instrumentos cabe nesta única marca. A página registra a situação jurídica com precisão factual, sem tom de obituário e sem omitir: a marca segue ativa.